Um dia, amei




Um dia, amei. Um dia, quando tudo parecia certo e não havia nada a temer. Nesse dia, eu amei. Com força, intensamente, amei como se nada pudesse dar errado porque você prometeu. Você prometeu que tudo – tudo – ficaria bem. Acreditei. E um dia, quando nada mais importava, eu amei. Nesse dia, eu posso dizer que amei. Algumas trocas de olhares, mãos que acidentalmente se encostam e um beijo roubado. Foi quando tudo começou. E, sim, eu amei. Durou pouco. Foi aquele tipo de amor que vem sem ser convidado, se espalha por você e então vai embora como se você não fosse digna de hospedá-lo. O tipo de amor que esmaga seu coração assim que você o permite entrar. Esse tipo de amor que não se consegue evitar. Agora entendo o que você queria dizer com aquelas palavras doces e sutis, com os olhares desviados quando sustentados por tanto tempo. Eis a verdade dolorosa que ninguém quer ouvir: eu sabia. É claro que eu sabia. Eu sabia que não era verdadeiro e mesmo assim permiti que você ficasse, entreguei meu coração numa bandeja para que você o quebrasse. Éramos nós contra o mundo e você me olhava como se nada pudesse dar errado. Naquele dia distante, há muito tempo, eu amei. Você. Você, que não me amou de volta. Um dia, amei. Mas amei sozinha e isso doeu. Doeu tanto que não deixo mais meu coração exposto fora do peito, batendo, disparando estupidamente quando esse tipo de amor mentiroso ameaça aparecer novamente. Hoje, eu o mando embora: esse amor – o mentiroso que faz o coração quebrar. Não pense que, por isso, estou triste e choro sem parar. Não. Um dia, amei. Sei disso – sei que amei. Por isso hoje, sinto medo. Porque sei o quanto o amor é bom. Mas sei também que ele pode destruir. O amor pode devastar. E se de um lado temos meu medo e do outro meu amor, não é difícil descobrir qual deles escolho no final. O amor pode parecer maravilhoso, belo e completamente irresistível. Até um dos dois descobrir que, na verdade, não era amor. Era apenas paixão. E a paixão acaba. O grande truque da paixão é se parecer tanto com o amor. Mas quando se percebe isso, já é tarde demais. Quando se descobre a diferença entre os dois, essa sutil e tão confusa diferença, inevitavelmente, já há um coração partido dentro de alguém. E corações partidos são difíceis de curar. Um dia, me apaixonei. Já estive apaixonada e vi o céu mais azul, o brilho do sol mais intenso e o canto dos pássaros era, sem dúvida, a mais bela das músicas. Um dia, amei. Um dia. Muito tempo atrás, quando tudo parecia ser eterno e o para sempre era o presente. É engraçado como sempre achamos que as coisas boas se eternizam quando, na verdade, elas só são eternas em nossas lembranças. E no fim, isso é tudo que se tornam: lembranças. Promessas quebradas se tornam cicatrizes das quais nunca iremos nos livrar. E corações partidos... bem, corações partidos são difíceis, se não impossíveis, de serem curados. São eternas feridas que nunca, nunca cicatrizam. São feridas que continuam doendo, mesmo depois de tanto tempo. É algo que eu e você iremos sempre lembrar. Um dia, amei. Meu coração foi partido e embora por muito tempo ele tenha sangrado, o dia em que amei sempre ficará na minha memória, vivo, marcado como uma das lembranças boas que possuo. A lembrança que se destaca de todas as demais. Porque, um dia, amei. E isso é algo que, não importa o que tenha acontecido depois, sempre irei lembrar.

Comments
2 Responses to “Um dia, amei”
  1. Maay S. says:

    AMEI O TEXTO, TÃO LINDO MEU DEUS!!

  2. Natália says:

    Aiin, tô quase chorando aqui!! É perfeito, gente!!

    http://travessuraselivros.blogspot.com

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