Resenha: O Céu está em todo Lugar, por Jandy Nelson ♥



Já fazia muito tempo que eu queria ler esse livro. Muito tempo mesmo. E quando finalmente comprei, acabei demorando ainda mais para lê-lo. Foi a pior coisa que eu fiz. Deveria ter lido há muito, muito tempo mesmo. Na verdade, deveria ter lido bem na hora que comprei, ali mesmo, no meio da rua, igual à família Walter. Porque agora tenho mais um livro preferido. Além da capa linda e da arte magnífica dentro do livro (cada capítulo é uma surpresa), a história é incrível.

"Toda vez que alguém morre, uma biblioteca se incendeia". Estou vendo uma ser queimada diante de mim. (p. 234)

Lennon Walter perdeu a irmã mais velha de forma abrupta. Ela saiu de casa para ensaiar o papel principal de uma peça e então simplesmente não voltou. Ela mora com o tio viciado em maconha e cinco vezes divorciado, Big, e a vovó Walter, a qual cuida de seu jardim como se as plantas tivessem personalidade própria. Todos tentam lidar com a morte de Bailey da melhor maneira possível. O que impressiona nesse livro é que o sentimento de luto é realmente palpável, realmente crível.


O Céu está em todo Lugar é um livro sensível. Ele é apaixonante, da mesma maneira que é emocionante. É triste e feliz ao mesmo tempo. Em uma página você pode estar contente por alguma coisa boa que tenha acontecido à Lennie, mas na outra estar prestes a chorar por causa de um dos bilhetes escritos por Lennie e deixados sob pedras ou pendurados em árvores. Não é um livro chato ou irritante, pelo contrário. A autora coloca no papel exatamente aquele sentimento inexplicável e indescritível que temos diante de uma perda tão grande e tão importante. O sentimento descrito por Lennie, a falta que sente da irmã e dos pequenos momentos juntas tem uma verdade e uma sensibilidade incríveis que fazia muito tempo que não via em livros desse gênero.

Era uma vez uma garota que percebeu que estava morta. Espiou pela fresta do céu e viu que lá na Terra sua irmã sentia muito a sua falta. Então, percorreu caminhos por onde não devia ter andado, pegou alguns momentos com a mão, chacoalhou-os e os jogou como se fossem dados por cima do mundo dos vivos. Funcionou. O garoto do violão colidiu com sua irmã. "Pronto, Len" sussurrou. "Agora é com você". (p. 307)

De um lado, temos Lennie, a garota mais triste que todos já conhecemos, acostumada a viver sempre a sombra de sua irmã mais velha, Bails, que fazia tudo muito bem e com proeza, obrigada. Ela era o pônei acompanhante e o que acontece com ele quando o cavalo morre? Do outro lado, temos Joe Fontaine, o garoto novo na cidade que transforma qualquer música que toca em um hino dos anjos. E ainda temos Toby Shaw, o namorado de Bails, concorrente de Lennie em pessoa mais triste a habitar a cidade. Sarah, a melhor amiga estabanada. Sempre tem a melhor amiga estabanada. Mas quem não tem uma amiga assim?

As coisas vão aos poucos caminhando para uma normalidade espantosa onde Bailey não existe. Aos poucos, o café da manhã é mais suportável, se livrar das coisas da irmã se torna mais fácil. Isso assusta Lennie e a apavora. Afinal de contas, como ela pode se sentir feliz como nunca se sentiu antes quando sua irmã morreu? Como ela pode pensar as coisas que pensa quando sua irmã não vai mais voltar? Lennon Walter deveria estar de luto, não se apaixonando.

Comments
3 Responses to “Resenha: O Céu está em todo Lugar, por Jandy Nelson ♥”
  1. Este comentário foi removido pelo autor.
  2. Eu simplesmente amei esse livro. Tenho uma irmão mais velha e diversas vezes me colocava no lugar de Lennie e sua dor se tornava quase tangível. No entanto, apesar disso, Lennie ás vezes me dava nos nervos, nas palavras de sua avó, ela agia como se somente ela houvesse perdido alguém. Mas o livro é perfeito. Melhor diagramação que já vi. Colorido e super moderno!

    Bjos
    entrereaiseutopias.blogspot.com.br

  3. Oi Juliene! Me senti na mesma situação que você, a dor da Lennie é bastante real e palpável. Em relação ao egoísmo, acho que foi isso que tornou a personagem mais real. Afinal de contas, é mais ou menos assim que agimos quando perdemos alguém, não é mesmo?

    Beijos!

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